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LEÕES FAMINTOS



Em uma tarde de domingo, descansadamente em casa, eu estava a revisar a história da vida de Daniel, e não me parece coincidência que cada vez que leio um trecho bíblico, uma nova visão de fatos já bem conhecidos flui em minha mente. A bíblia é um grande tesouro.

Mas, pra começarmos, quem foi Daniel?

Daniel foi um jovem que foi levado cativo (escravo) durante a invasão de Israel pelo destemido exército do Império Babilônico, comandado pelo Rei Nabucodonosor no ano 605 a.C. (relatado em Dn 1) .

A trajetória dele começa quando foi escolhido juntamente com três amigos, dentre os mais formosos jovens e com as mais excelentes características do povo israelita, para habitar e serem ensinados no palácio real, para estarem diante do rei. Foram-lhes designados todos os privilégios e a porção do manjar do rei.

 Mas a vida de Daniel não se resume em habitar no palácio real, sua presença ali seguia um nobre propósito de Deus. Daniel interpretou os sonhos de Nabucodonosor (Dn 2), foi nomeado governador da Babilônia, estando na liderança do império ele protegeu o seu povo da aniquilação, viu a loucura de Nabucodonosor (Dn 4), contemplou a leviandade do reinado de Belsazar (Dn 5), 
interpretou a sentença do término do império babilônico e participou da dominação medo-persa, por Dario. Nisso tudo o propósito de Deus estava em jogo. Daniel serviu fielmente entre a nobreza durante setenta anos, a quatro imperadores (Nabucodonosor, Belsazar, Dario e Ciro) e dois grandes impérios (Babilônico e Persa).

A vida de Daniel foi esplêndida, repleta de exemplos de conduta e de retidão.

Mas o trecho da vida de Daniel que desejo destacar nesta reflexão, está além da queda do Império Babilônico, foi durante o reinado de Dario, o persa.

Não diferente dos outros reis, Daniel serviu com muita fidelidade e afinidade o rei Dario, e era homem respeitado em todo o reino. Certa ocasião o rei decidiu nomear cento e vinte governadores para que dessem conta de todo o grande reino (Dn 6), e sobre estes governadores, três príncipes que governassem toda a terra, e um deles era Daniel (o império persa alcançava da Ásia Menor até partes da Índia, entre o mar Cáspio e o Golfo Pérsico, cortando a Arábia e indo até o Egito e partes da África).

Daniel estava por viver um momento intrigante de sua vida. Ele gozava de grande respeito e dignidade, e mesmo entre os três poderes do império, Daniel se destacou, e o rei Dario planejou colocá-lo sobre todo o reino. É óbvio que isso não pareceu nada bom aos olhos dos demais príncipes. Diante disso, esses políticos corruptos buscaram algum motivo para acusar Daniel diante do rei e tira-lo da equação, levando em conta a severidade da lei medo-persa. Mas um servo bom e fiel não deixa falhas, faz tudo com perfeição para agradar o seu Senhor. Buscaram em Daniel corrupção política e não encontraram, buscaram alguma falha na vida social de Daniel e não encontraram, buscaram algum vício que lhe acusar e não encontraram, buscaram alguma palavra pra lhe delatar e novamente nada encontraram; isso porque “ele era fiel, e não se achava nele nenhum vício nem culpa” Dn 6.4.

Bem, como o inimigo é ardiloso o bastante, e não tendo nenhuma acusação legítima contra Daniel, resolveram de armar contra ele e atacar a sua inegável fé. Apelaram para a fraqueza do rei Dario, que era o orgulho, convenceram o rei a decretar uma lei onde proibia que qualquer um por um prazo de trinta dias se prostrasse a qualquer Deus que não fosse o rei, aquele que divergisse desse decreto deveria ser lançado na cova dos leões. Assim o decreto foi assinado. Mas o que isso tem a ver com Daniel, você pergunta? Pois bem, Daniel orava três vezes ao dia ao Senhor, de joelhos em seus aposentos. Em posse disso, os inimigos de Daniel fizeram intriga diante do rei, dizendo que Daniel desprezava as leis do rei e para que fosse condenado por isso. Dario tinha grande respeito por Daniel e tentou todas as formas de livrá-lo de seu próprio decreto, mas a ardilosidade dos inimigos de Daniel era tamanha que o rei nada pôde fazer, e com pesar decretou que fosse lançado na cova com os leões. Assim foi feito. Dario lamentou amargamente, mas, não podia revogar seu decreto.

Passou-se o dia e a noite, na manhã seguinte, o rei apressou-se até a cova e clamou esperançoso para que Daniel estivesse vivo, e para surpresa de todos os seus delatores, Daniel falou com o rei. Ele disse que um anjo fechou a boca dos leões, e Dario exaltou o Deus de Daniel e ordenou que seus acusadores e suas famílias fossem lançados na mesma cova, na qual foram despedaçados até os ossos.

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Meu amigo leitor, você precisa entender, que diferente da grande maioria do mundo, você nasceu com um propósito de Deus, e um verdadeiro propósito não se cumpre da noite para o dia, geralmente é o resultado de uma vida. Observe que Daniel viveu por muitos anos na corte de dois grandes impérios, e sua permanência lá não foi em vão, podemos dizer que a presença dele foi elemento de equilíbrio, evitando que seu povo fosse aniquilado, evitando que o próprio império ruísse, por esse motivo gozava de tanto respeito. Foi um estadista admirável.

Adaptando a nossa realidade, histórias como a de Daniel comumente acontecem em nossas vidas. Veja que fazendo tudo corretamente, com cuidado e dedicação, você acabe naturalmente se destacando entre os demais, e isso desperta inveja e ódio. Boa parte das pessoas faz o que for necessário para estar no topo, e não estão pensando em ser justos ou honestos. Quando alguém alcança o topo com autenticidade e muita dedicação, os maus os têm que derrubar, pois julgam que aquele topo só pode ser alcançado com mentiras, trapaças, corrupção e toda sorte de perversidades.

Você, no lugar onde você está, é o lugar do propósito de Deus. É onde Deus quer fazer de você um diferencial, uma referência, seja no posto mais simples, como na chefia de uma grande empresa. É preciso você acreditar que sua presença aí neste lugar é uma luz, que produz equilíbrio, e na maioria das vezes é o motivo que alavanca o sucesso dos demais a sua volta. Você nem sempre leva a sério o quanto a sua pessoa é importante e o impacto que a sua vida causa.

Mas existem duas lições que a vida de Daniel nos ensina para que esse impacto seja real: A primeira é Fé - Daniel mantinha uma ótima relação com Deus, orava três vezes ao dia, e não seria por decreto algum que ele mudaria esse hábito; ele mantinha as suas convicções. Não correria o risco de enfraquecer sua relação com Deus por medo de alguma sentença de morte, pois tinha fé suficiente para lhe salvar de qualquer acaso. A Segunda é Fidelidade - Deus tem um compromisso de colocar em destaque aquela pessoa que faz tudo com habilidade e responsabilidade diante dos homens e diante de Deus, sendo honesto, justo e verdadeiro. Com estas duas lições você se torna uma referência onde estiver.

Mas quero destacar que, sendo você um ponto de equilíbrio, e luz, fica claro que os inimigos da luz não vão aprovar a sua conduta, e te odiarão por isso.

Mas então, você me pergunta, como lidar com aquelas pessoas que buscam incansavelmente puxar o seu tapete? Só existe uma forma legal: continue vivendo e buscando uma vida irrepreensível, um cidadão exemplar, e dificulte a vida daqueles que buscam formas legítimas para te acusar (não dê motivo para te acusarem). Continue sendo o melhor ponto de equilíbrio e luz. Mas isso não impede que venham os ataques e as mentiras. É nesta hora que você precisa de Fé. Sem fé você não conseguirá viver neste mundo, ser uma pessoa exemplar, vencer as perseguições e alcançar sucesso, tudo ao mesmo tempo. A fé é a chave do equilíbrio, e pode tranqüilizar até mesmo leões famintos, como no caso de Daniel. Sem fé e a sua fidelidade a Deus, Daniel não teria saído vivo daquela cova.

A cova onde Daniel foi lançado representa o poço da derrota, aquele lugar que as pessoas ambiciosas desejam para aqueles que têm luz própria, que não precisam viver à luz de outras pessoas, que tem discernimento e sabedoria. Muitas vezes somos lançados nessa cova involuntariamente, de formas injustas e com crueldade; mas, se enfrentarmos esse caos temporário com Fé, deixando para fora dessa cova o desejo de desistir, então meu amigo, o próprio Deus vai fechar a boca de leões, só por você, porque ele ama você e quer cumprir todo o seu propósito através de sua vida. E nunca se esqueça que os teus inimigos receberão como justiça tudo aquilo que desejaram para você. A Bíblia diz que com a mesma medida com que medir o teu próximo, assim você será medido. Porque Deus é justiça. Creia n’Ele.
Inspiremo-nos em Daniel e vivamos uma vida com excelência, tanto no palácio como na cova com os leões famintos.



                 Que Deus te abençoe.


Alan Chiamenti Machado
Autorizada reprodução, desde
que citada autoria e fonte www.alchimac.com

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